Tão pesada quanto a
gravidade, a respiração daquele que possui a arma letal não deixa
escapar o receio de avançar para o local mais próximo do inimigo.
Para disfarçar suas intenções assassinas, alguma superfície úmida
entre tantas que compõem o cenário sombrio, que logo se tornaria
palco de um espetáculo de violência gratuita.
O eco dos passos não
era o suficiente para despertar aquele ser fantástico do seu sono
profundo. A arma, guardada e segura das impurezas daquele lugar, não
via a hora de penetrar a carne, seja de quem fosse a carne. A arma
clama por sangue e pelo cheiro que o mesmo apresenta após espirrar
pelo ambiente. Ferro puro.
Por mais maligno que
fosse, acredito que ninguém desejaria tal fim para si ou para
outrem. O som inconfundível da lâmina quando perfura e dilacera a
carne, com toda violência, para matar e causar dor. As válvulas
perderam o rumo e logo deixaram o sangue jorrar, como mangueiras em
máxima pressão.
A vítima não abriu
os olhos enquanto o seu inimigo saía de suas entranhas, fazendo
cortes em sua pele para poder abrir caminho. Estava feito. Aquele que
carrega a arma finalmente viu a luz e seguiu o seu caminho. O dragão
não morreu, mas ainda observa o seu sangue jorrar.

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