domingo, 15 de maio de 2016

Como matar um dragão? (15/05/2016)

   Tão pesada quanto a gravidade, a respiração daquele que possui a arma letal não deixa escapar o receio de avançar para o local mais próximo do inimigo. Para disfarçar suas intenções assassinas, alguma superfície úmida entre tantas que compõem o cenário sombrio, que logo se tornaria palco de um espetáculo de violência gratuita.
   O eco dos passos não era o suficiente para despertar aquele ser fantástico do seu sono profundo. A arma, guardada e segura das impurezas daquele lugar, não via a hora de penetrar a carne, seja de quem fosse a carne. A arma clama por sangue e pelo cheiro que o mesmo apresenta após espirrar pelo ambiente. Ferro puro.
   Por mais maligno que fosse, acredito que ninguém desejaria tal fim para si ou para outrem. O som inconfundível da lâmina quando perfura e dilacera a carne, com toda violência, para matar e causar dor. As válvulas perderam o rumo e logo deixaram o sangue jorrar, como mangueiras em máxima pressão.
   A vítima não abriu os olhos enquanto o seu inimigo saía de suas entranhas, fazendo cortes em sua pele para poder abrir caminho. Estava feito. Aquele que carrega a arma finalmente viu a luz e seguiu o seu caminho. O dragão não morreu, mas ainda observa o seu sangue jorrar.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário